Diversão obrigatória: já parou para pensar sobre os perigos?

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Um problema bastante comum que as empresas enfrentam – principalmente quando elas deixam de ser empresas de 5, 10 funcionários e passa a ser uma empresa de 100 funcionários ou mais – é a falta de conexão social entre os colaboradores.

Muitas são as tentativas de reverter esse quadro.

Leitura recomendada: Como o processo de inovação da sua empresa deveria ser?

Almoços gourmet semanais (que acabam não acontecendo depois de algum tempo por falta de interessados), fliperamas parados, “salas de lazer” abandonadas, etc.

Não é incomum por aí empresas desenvolverem atividades sociais quase-que-obrigatórias que, no melhor dos cenários, são esquisitas, e no pior, são alienadoras.

É necessário que as empresas encontrem uma maneira de encorajar entre os colaboradores conexões fora da empresa, que sejam capazes de auxiliá-los a “recarregar suas baterias”.

Mas, para pensarmos em como fazer isso da maneira correta, que tal darmos um passo atrás e entendermos o que faz com que paremos de nos conectar no trabalho?

Terreno comum
Com o passar do tempo, pessoas de diferentes campos de atuação, experiências e interesses, tendem a entrar em algo chamado pelos psicólogos de “efeito da informação comum”.

Trata-se da tendência de que os assuntos tratados em situações informais sempre convergirem para um tópico que as pessoas envolvidas tenham em comum.

O tópico em comum que aparece mais regularmente entre pessoas que trabalham na mesma empresa?

Trabalho (ou reclamações/fofocas sobre o ambiente de trabalho).

Farinha do mesmo saco
Pessoas tendem naturalmente a se aproximar de outras pessoas com as mesmas características que elas.

Isso tem uma série de pontos positivos – torna mais fácil “quebrar o gelo” com quem não conhecemos, por exemplo.

Mas também tem uma série de pontos negativos.

Encontrar pessoas com interesses e modos de pensar diferentes dos nossos pode ser muito enriquecedor para nosso crescimento.

Misturando tipos de relacionamento
A maior dificuldade em se criar conexões sociais reais com seus colegas de trabalho está em misturar diferentes tipos de relacionamento.

Os psicólogos Judson Mills e Margaret Clark identificaram dois tipos de relacionamentos humanos: comunal e de troca.

A base para um relacionamento comunal é prover aos outros com base nas necessidades deles.

É o tipo de relação que temos com amigos e familiares. Em relacionamentos de troca, uma pessoa cede algo em antecipação a receber algo em troca.

Não tão surpreendentemente assim, é o tipo de relação que normalmente temos com colegas de trabalho.

Misturar comportamentos comunais com de troca pode ser desconfortável.

Quando uma pessoa em um relacionamento de troca resolve adotar comportamentos comunais (demonstrando vulnerabilidades, pedindo por suporte emocional, ou até mesmo dando aberturas românticas), a outra pessoa nessa relação pode não se sentir à vontade.

Há hora e lugar para misturar prazer com negócios, mas na maioria das vezes, cruzar essa linha irá resultar em situações desagradáveis, não conexões mais fortes.

O que fazer?

São poucas as empresas que possuem um histórico de sucesso em ações de engenharia social visando uma maior aproximação entre seus colaboradores, mas mesmo assim, empresas continuam tentando.

E pior, com as mesmas fórmulas de sempre. Isso causa um grande problema: a intromissão de nosso ambiente de trabalho em todas as facetas de nossa vida, tornando realidade o tão temido “ambiente de trabalho 24/7”.

Buscando um menor “isolamento social” no ambiente de trabalho, muitas empresas apelam para recursos como cozinha farta e gratuita, academias de ginástica, espaços para meditação, fisioterapeutas, personal trainers, espaços para jogos (pebolim, videogames, etc.), espaço para sonecas, entre outros.

O que parece estar passando desapercebido, é que esse tipo de ação isola seus colaboradores de relacionamentos sociais fora do ambiente de trabalho, e que isso acaba gerando muito do isolamento social.

Permita com que as pessoas vão para suas casas, deixe com que elas gastem seu tempo com suas famílias e amigos, que vão a um bar e criem uma conta no Tinder, que toquem em uma banda e gravem um álbum.

Ao invés de um dia de “diversão obrigatória” em algum evento promovido pela empresa, dê aos seus funcionários um dia de folga, para que suas vidas sociais floresçam e que seu isolamento social desapareça!

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